linked in fb

O Desemprego Dos Jovens

A fragilidade do mercado de trabalho juvenil é um fenômeno mundial, especialmente desde a crise econômica de 2007/8. Em 2009, a taxa de desemprego juvenil mundial atingiu 12,7% após o maior aumento anual desde o início dos registros, o que representa cerca de mais 4,5 milhões de jovens sem emprego. No final de 2010, mais de 75 milhões de jovens (15-24 anos) estavam desempregados.

O desemprego e o subemprego são fatores altamente instrumentais na perpetuação da pobreza. Com o seu crescimento rápido, a taxa de desemprego no Brasil tem diminuído de forma consistente ao longo da última década, apesar da crise econômica. No entanto, muitas pessoas que vivem em situação de pobreza permanecem formalmente desempregados (o desemprego dos jovens era 15,6% em 2012). Para os jovens se beneficiarem plenamente e participar no crescimento econômico do Brasil, devem ser capazes de acessar diversas oportunidades de emprego. Muitos fatores podem criar barreiras para esse processo, como a falta de educação, condições inseguras de vida, dificuldade de acesso aos recursos e participação no mercado de trabalho ilegal.
Há milhões de brasileiros que estão empregados ‘informalmente’. O emprego informal é uma questão complexa, especialmente em contextos urbanos. Sem dúvida, emprego, seja formal ou não, proporciona benefícios, tanto econômica quanto socialmente. O trabalho informal pode constituir um empreendimento lucrativo. No entanto, em muitos casos, o emprego informal está contribuindo para a exclusão social e econômica – com salários mais baixos, ambientes não regulamentados, alto risco de trabalho, trabalho socialmente estigmatizados (como separação de resíduos) e a ameaça de formas de controle federal e público.

Educação e Emprego

Desigualdades educacionais têm um efeito significativo sobre as oportunidades de emprego. A Educação é recompensadano mercado de trabalho, da mesma forma que a dificuldade de acesso à educação aumenta consideravelmente o risco de exclusão do emprego legítimo e formal. Os desempregados perdem benefícios econômicos e sociais prestados por emprego formal, como a Carteira de Trabalho e Previdência Social, que dá acesso a benefícios trabalhistas, incluindo seguro-desemprego e proteção social.
Em 2006, havia 19 milhões de pessoas entre 15 e 24 anos de idade que não completaram o ensino fundamental; e cerca de 3 milhões delas não eram alfabetizadas. O analfabetismo perpetua a exclusão social, política e econômica, que por sua vez sustenta a desigualdade e a pobreza. A intervenção do Estado para combater isso através do programa Brasil Alfabetizado, (o esquema de promoção da inclusão educacional) oferecendo alfabetização para pessoas com mais de 15 anos, teve um impacto significativo. O programa já foi acessado por 9,9 milhões de jovens.
Para aqueles em idade escolar, o próprio emprego pode ser uma barreira para a educação. Estudos recentes sugerem que há mais de 4 milhões de crianças em idade escolar (5 a 17 anos) que trabalham no Brasil. Mesmo que a escolaridade e o emprego não sejam necessariamente mutuamente exclusivos – as crianças podem trabalhar em tempo parcial e ainda frequentar a escola -em muitos casos, o emprego diminui a frequência e o rendimento das crianças na escola.

Emprego ilegal

Participação em indústrias ilegais – incluindo tráfico de drogas, a prostituição infantil, contrafação e pirataria, comércio de armas e tráfico humano – é proeminente em áreas urbanas do Brasil. Particularmente, o tráfico de drogas oferece, uma empresa bem organizada, estruturada, operando por princípios básicos de mercado – e com grande sucesso. A demanda por drogas no Brasil, especificamente cocaína, inchou ainda mais com o crescimento econômico. Em 2011, a indústria de cocaína da América do Sul gerou seis vezes o lucro global (sem impostos) da Coca-Cola.

As práticas da indústria de narcóticos estão alinhados com os interesses econômicos dos grupos que fiscalizam o comércio. Aqueles que se beneficiam em fazê-lo às custas da população economicamente marginalizada que sofrem consequências diretas. Estes incluem a diminuição da segurança (pessoal e social) do aumento da criminalidade e da pressão nos serviços de saúde pública com o aumento dos problemas de saúde advindos das drogas.
A educação não é um pré-requisito para esta indústria e, nesse caso, o emprego está disponível muito cedo na vida das crianças.. Conseqüentemente, aqueles que trabalham no tráfico de drogas são muitas vezes das famílias com renda mais baixa, com níveis abaixo da média da educação. Bem como proporcionar uma renda, a indústria do narcotráfico oferece uma forma de empoderamento, aceitação e inclusão nas redes de tráfico e segurança contra dos rivais e a polícia.

As crianças constituem o capital humano valioso dentro dessas redes, devido ao seu estatuto jurídico. A criança pode entrar na indústria como um “vigia”, em seguida, passar por o escalões até chegar a ser um traficante, que pode fornecer três vezes a sua renda inicial (até aproximadamente R$3000 por mês) e a perspectiva de uma maior promoção,poder e fama. Esta é uma situação altamente atraente, dado que, com ou sem este emprego, persistem os desafios da pobreza urbana e permanecem as barreiras para uma alternativa de emprego legal.. A falta de perspectivas positivas futuras de trabalho cria as condições para florecerem alternativas ilegais e criminosas.

Além disso, a indústria das drogas surge rapidamente como a única opção visível para aqueles que já estão envolvidos com eles se tornam alvo fora da comunidade. Grupos rivais e policiais são ameaças à segurança das pessoas envolvidas na indústria e, portanto, eles devem ficar perto de seus aliados. Quanto mais tempo uma criança / jovem passa na indústria, maior a dificuldade de existir livremente fora das fronteiras da comunidade, reforçando e normatizando a sua exclusão da sociedade em geral.